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Corpo de menino de 3 anos espancado pelo pai é sepultado em Viamão

Mãe da criança, presa preventivamente, compareceu ao funeral sob escolta judicial; pai não teve autorização para se despedir do filho.

AJ
Redação AJISP
22 de julho de 2026 às 21:51 · há 1 h
Corpo de menino de 3 anos espancado pelo pai é sepultado em Viamão
Corpo de menino de 3 anos espancado pelo pai é sepultado em Viamão — Foto: G1

Oliver Golden Grayson, de três anos, foi sepultado nesta quarta-feira (22) em Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, duas semanas após sua morte. A cerimônia, de caráter fechado, ocorreu no Cemitério Nossa Senhora da Conceição e contou com a presença de cerca de dez pessoas. A criança morreu em 8 de julho, vítima de agressões físicas. A investigação aponta que o pai, D'Andre Grayson, confessou ter agredido o filho por não ter recebido um "bom dia".

Mayana Rodgers, mãe de Oliver, presa preventivamente desde 9 de julho, foi autorizada pela Justiça a comparecer ao sepultamento, sob escolta policial. Ela permaneceu no local por aproximadamente 20 minutos antes de retornar à prisão. A Polícia Civil investiga a conduta de Mayana para determinar se houve omissão diante das agressões ou eventual participação na violência. A defesa da mãe anunciou a intenção de solicitar um habeas corpus para reverter a prisão preventiva. Segundo a advogada Isabel Cochlar, a decisão judicial permitiu que Mayana se despedisse do filho "com dignidade".

O pai da criança, D'Andre Grayson, não obteve autorização judicial para participar da cerimônia. A decisão do magistrado considerou que a presença do investigado poderia representar riscos à sua própria integridade física, aos agentes de escolta e aos demais presentes no funeral. Em nota, os advogados de D'Andre, Ismael Schmitt e Jader Santos, manifestaram respeito e compreensão pelos fundamentos da decisão judicial, recebendo com alívio a permissão para que a mãe pudesse reencontrar os outros filhos, que foram encaminhados a um abrigo.

A demora no sepultamento de Oliver ocorreu porque o corpo dependia de reconhecimento formal por parte da mãe. Somente na última sexta-feira (17), a Justiça determinou que Mayana fosse escoltada para fora da prisão para realizar o reconhecimento no Departamento Médico Legal (DML), após o Ministério Público (MPRS) informar que todas as perícias necessárias haviam sido concluídas. O reconhecimento foi feito por papiloscopia, e a prefeitura de Viamão organizou a despedida, que se enquadra nos critérios de "velório social" para famílias em situação de vulnerabilidade.

Até o momento, onze testemunhas foram ouvidas pela Polícia Civil. A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação, informou que o pai relatou ter desferido socos no peito e abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime ocorreu na residência da família, no distrito de Águas Claras. A previsão para a conclusão do inquérito é agosto. A polícia apura também a conduta da mãe, verificando se houve omissão e se ela praticava torturas, por meio de perícias psíquicas com as crianças. Um inquérito separado investiga indícios de violência física e psicológica sofridas por Mayana por parte do marido. As polícias civis de Santa Catarina e São Paulo enviaram ocorrências de maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025, e a Polícia Federal (PF) e a Interpol foram acionadas para verificar antecedentes e situação legal dos estrangeiros no Brasil. A polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão diante dos sinais de maus-tratos.