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Destroços de avião da Pan Am desaparecido há 74 anos são encontrados no mar do Caribe

A descoberta da aeronave, que caiu em 1952 e resultou na morte de 52 pessoas, reacende debates sobre segurança aérea e oferece esperança a familiares de outras vítimas de desastres oceânicos.

AJ
Redação AJISP
22 de julho de 2026 às 02:34 · há 1 h

Após 74 anos, os destroços do avião Clipper Endeavor, um DC-4 da companhia Pan American World Airways (Pan Am) que sofreu um acidente em 1952, foram localizados no fundo do mar. A descoberta, anunciada nesta terça-feira (21), representa um marco tanto para a história da aviação quanto para as normas de segurança aérea global. O evento, que vitimou 52 pessoas, ocorreu após a aeronave perder potência nos motores logo após a decolagem de Porto Rico, culminando em um pouso forçado no oceano.

Na ocasião do acidente, os 17 sobreviventes relataram que todos a bordo resistiram ao impacto inicial. No entanto, o drama se intensificou quando muitos passageiros não conseguiram encontrar os coletes salva-vidas e a tripulação enfrentou dificuldades para inflar os botes. Em poucos minutos, a aeronave afundou, deixando um legado trágico que impactou profundamente a indústria da aviação.

Os destroços foram identificados no mês passado por uma equipe especializada que empregou um drone submarino autônomo equipado com sonar. A fuselagem e a cauda do avião foram encontradas a aproximadamente 610 metros de profundidade. Segundo John Cox, especialista em segurança da aviação, o incidente se tornou um catalisador para avanços significativos no setor, como aprimoramento de equipamentos de flutuação e a implementação de briefings pré-voo mais detalhados, que se tornaram padrão após o desastre. Atualmente, os passageiros são instruídos sobre a localização e o uso de saídas de emergência e coletes salva-vidas antes de cada voo.

A busca pelo Clipper Endeavor teve início em 2019, quando o pesquisador Russ Matthews se deparou com uma notícia sobre uma etiqueta de bagagem do voo encontrada na costa da Flórida. Nos anos seguintes, Matthews dedicou-se à análise de arquivos da Pan Am, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e relatórios do Conselho de Aeronáutica Civil, órgão predecessor da atual Administração Federal de Aviação (FAA). A pista decisiva veio de documentos encontrados em Porto Rico, incluindo um mapa elaborado por pilotos da Força Aérea americana que testemunharam a queda e estimaram o local do acidente.

Uma tentativa inicial de localização em 2024 foi frustrada por condições climáticas adversas. Contudo, neste ano, Matthews obteve o apoio da empresa Deep Sea Vision, especialista em exploração submarina. Em abril, uma embarcação da empresa iniciou as buscas com um drone submarino equipado com sensores. Baseando-se em pesquisas históricas e dados meteorológicos da época do acidente, os exploradores delimitaram uma área de 34 quilômetros quadrados. Os destroços foram encontrados na primeira varredura, momento capturado pela equipe do programa "Expedition Unknown", do Discovery Channel, que registrou a reação dos pesquisadores ao avistar a silhueta da aeronave nas imagens.

Além do inegável valor histórico e para a memória das vítimas, a descoberta dos destroços do Clipper Endeavor pode trazer uma nova perspectiva e esperança para familiares de vítimas de outros acidentes marítimos, como o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines em 2014, que levava 239 pessoas a bordo. A tecnologia avançada empregada na localização deste avião antigo demonstra o potencial para desvendar mistérios de longa data no oceano. O incidente, na época, serviu como um "grito de guerra" para a segurança da aviação, impulsionando mudanças que tornaram as viagens aéreas muito mais seguras hoje.