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Executores de Fernando Iggnácio são condenados; Rogério Andrade e segurança aguardam júri

Após penas de mais de 31 anos de prisão para dois acusados diretos, e a anterior condenação de um ex-PM, bicheiro Rogério Andrade, apontado como mandante, e seu chefe de segurança enfrentam processo em separado.

AJ
Redação AJISP
18 de julho de 2026 às 08:00 · há 2 h
Executores de Fernando Iggnácio são condenados; Rogério Andrade e segurança aguardam júri
Executores de Fernando Iggnácio são condenados; Rogério Andrade e segurança aguardam júri — Foto: G1

A Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta sexta-feira (17), Pedro Emanuel D'onofre Cordeiro e Otto Samuel D'onofre Cordeiro a mais de 31 anos de prisão cada um, pelo assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020. Com essas decisões, todos os envolvidos diretamente na execução do contraventor já foram punidos. Em abril, o ex-PM Rodrigo Silva das Neves havia sido condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias pelo mesmo crime.

Paralelamente, o bicheiro Rogério Andrade, rival de Fernando Iggnácio e preso em 2024 sob a acusação de ser o mandante, prossegue em um processo judicial distinto. No mesmo processo, figura o PM Gilmar Eneas Lisboa, que é acusado de monitorar a vítima em Angra dos Reis, antes que ela embarcasse no helicóptero em 10 de novembro de 2020 para ser assassinada em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes. O Ministério Público e as defesas de Andrade e Lisboa já apresentaram suas alegações finais. A promotora Andrea Fava, do Gaeco e Gaejuri do Ministério Público, afirmou que o caso agora está sob análise do juiz para decidir se eles serão pronunciados e submetidos a um conselho de sentença.

Márcio Araújo de Souza, apontado como o responsável por contratar os executores e quem vigiava a vítima em Angra dos Reis, também aguarda julgamento. Seu processo foi desmembrado devido à demora de sua defesa. Em outubro de 2023, a juíza Alessandra Roidis pronunciou Márcio, determinando que ele seja levado a júri popular. No entanto, a defesa recorreu e não há data definida para o júri. Márcio Araújo é tido como chefe de segurança e pessoa de extrema confiança de Rogério Andrade.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Rogério Andrade teria dado a ordem para o crime a Márcio Araújo de Souza. Andrade foi preso em outubro de 2024, após a obtenção de mais provas de seu envolvimento, incluindo ordens diretas em um aplicativo de mensagens criptografadas para matar Fernando Iggnácio, a quem se referia como “Cabeludo”. Rogério, considerado o maior bicheiro do Rio, foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e teve seus pedidos de liberdade negados pelo STF.

Márcio Araújo de Souza, supostamente o elo entre Rogério Andrade e os executores, teria coordenado o aluguel dos assassinos conforme a acusação. Ele se comunicava com Rogério via aplicativo Wickr, passando informações sobre a vigilância e detalhes da execução. Márcio se entregou em fevereiro de 2021, foi solto por decisão do STF, reconduzido à Polícia Militar e, em 2023, sofreu um atentado. Ele responde em liberdade, usando tornozeleira eletrônica, e está proibido de deixar o país.

Gilmar Eneas Lisboa, ex-PM, foi preso por monitorar Fernando Iggnácio. As investigações indicam que a vigilância começou oito meses antes do crime, com o ex-policial enviando vídeos da casa de veraneio de Iggnácio em Ilha Grande. Nos contatos de Márcio Araújo, Lisboa era identificado como "Tribidi" e fornecia detalhes do imóvel. O codinome da vítima, "Cabeludo", era o mesmo usado por Rogério Andrade em mensagens. Gilmar responde junto com Rogério Andrade no mesmo processo.

As condenações e os processos em andamento refletem a complexidade e a investigação aprofundada de um dos casos mais notórios envolvendo a disputa pelo controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro, um submundo marcado por violência e conexões criminosas.