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Governo Trump solicita a quatro estados checagem de listas eleitorais

O secretário de Segurança Interna pediu a Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia que verifiquem a presença de não-cidadãos em seus registros de eleitores, levantando preocupações sobre integridade eleitoral.

AJ
Redação AJISP
17 de julho de 2026 às 21:40 · há 1 h
Governo Trump solicita a quatro estados checagem de listas eleitorais
Governo Trump solicita a quatro estados checagem de listas eleitorais — Foto: G1

O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, solicitou oficialmente às autoridades eleitorais de quatro estados – Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia – que realizem uma revisão minuciosa de suas listas de eleitores. O objetivo é identificar e remover indivíduos que não possuam cidadania americana e estejam supostamente registrados para votar. O pedido, formalizado em cartas enviadas nesta sexta-feira (17), ocorre um dia após o ex-presidente Donald Trump reiterar alegações não comprovadas de interferência em eleições anteriores.

Mullin afirmou ter enviado análises preliminares de registros eleitorais desses estados, apontando o que seriam possíveis violações, embora não tenha apresentado evidências concretas para sustentar essas afirmações. O Departamento de Segurança Interna (DHS) exige uma resposta dos secretários de Estado em até duas semanas, com a confirmação de que colaborarão com o DHS para assegurar a segurança eleitoral. O secretário de Segurança Interna chegou a declarar a jornalistas que autoridades eleitorais que não cooperassem poderiam ser responsabilizadas, inclusive com multas e prisão.

Contudo, Francisco Aguilar, principal autoridade eleitoral de Nevada, rejeitou veementemente as alegações de Mullin, classificando os números apresentados como “altamente especulativos” e afirmando que o DHS não forneceu provas. Aguilar ressaltou que Nevada já havia compartilhado, em diversas ocasiões, informações detalhadas sobre os procedimentos de manutenção da sua lista de eleitores e as medidas de segurança adotadas para prevenir fraudes. Os estados de Nova Jersey, Pensilvânia e Califórnia não se manifestaram sobre a carta do DHS até o momento.

Em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), Mullin declarou que o DHS havia identificado mais de 250 mil possíveis não-cidadãos registrados ilegalmente para votar nos quatro estados. Ele também defendeu a aprovação da legislação SAVE America Act, apoiada por Trump. Apesar de repetir a acusação a jornalistas, ele não detalhou os critérios utilizados pelo DHS para chegar a tal número.

Historicamente, Trump tem sido um defensor da aprovação de projetos de lei que impõem novos requisitos de identificação e cidadania para eleitores, apesar do consenso de que a fraude eleitoral em grande escala nos Estados Unidos é rara. O ex-presidente tem intensificado suas declarações sobre a necessidade de segurança eleitoral, chegando a afirmar, na quinta-feira, que a China teria interferido na eleição presidencial de 2020 – uma alegação que contradiz avaliações da inteligência americana, que não encontraram evidências para tal. Essas afirmações somam-se a um histórico de alegações infundadas de Trump sobre a lisura das eleições, incluindo a derrota em 2020, o voto por correspondência e a confiabilidade de urnas eletrônicas.

Inúmeras recontagens de votos e decisões judiciais subsequentes à eleição de 2020 não revelaram evidências de fraude generalizada. Ainda assim, Mullin reiterou, em seus comentários de sexta-feira, que adversários estrangeiros teriam acesso a componentes essenciais das máquinas de votação e poderiam manipular registros eleitorais e votos. Ele não apresentou evidências para corroborar essas declarações, e não há registro conhecido de ataques estrangeiros para manipular diretamente eleições nos EUA. O secretário também anunciou que a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (Cisa) divulgará um “plano atualizado de infraestrutura eleitoral” em até 30 dias.