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Médica suspeita em esquema de R$ 27 milhões deixa prisão com tornozeleira em MS

Olívia Jafar, alvo da Operação Gutenberg, obteve liberdade provisória após pagamento de fiança e uso de equipamento de monitoramento, enquanto familiares seguem detidos por suposto esquema de fraude na compra de livros.

AJ
Redação AJISP
20 de julho de 2026 às 13:42 · há 14 h
Médica suspeita em esquema de R$ 27 milhões deixa prisão com tornozeleira em MS
Médica suspeita em esquema de R$ 27 milhões deixa prisão com tornozeleira em MS — Foto: G1

A médica Olívia Paroschi Jafar, uma das investigadas na Operação Gutenberg, foi liberada da prisão no último sábado (18), após pagar fiança e ser submetida ao uso de tornozeleira eletrônica. Ela havia sido detida no dia 7 de julho. A operação apura a existência de uma organização criminosa que supostamente utilizava a regulação de vagas e exames no Sistema Único de Saúde (SUS) de Mato Grosso do Sul para pressionar prefeituras a adquirir livros da Editora Avante.

A Operação Gutenberg investiga um esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões por meio de contratos considerados fraudulentos, celebrados entre 2022 e 2024. As investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apontam que o grupo fornecia um manual para direcionar as contratações por inexigibilidade de licitação, abrangendo desde a elaboração de estudos técnicos até a emissão de notas fiscais fraudulentas. O Gaeco descreve o esquema como uma sucessão familiar da Operação Lama Asfáltica, sob o comando de Rossana Paroschi Jafar.

Olívia Jafar é sócia-administradora da Jafar Estética e Saúde, que opera no mesmo local da Clínica Ross, onde realizava procedimentos estéticos com aplicação de enzimas. Em nome da Jafar Estética e Saúde, a médica mantinha um contrato de prestação de serviços com a Santa Casa de Campo Grande, assinado em junho de 2023, com validade de 12 meses. Segundo o documento, Olívia foi nomeada responsável técnica, prestando assistência em pronto-atendimento com remuneração de R$ 125 por hora.

A defesa de Olívia, representada pela advogada Estella Bauermeister, sustenta que o contrato com a Santa Casa não possui relação com as investigações. O contrato, segundo a defesa, formalizaria a prestação de serviços médicos em regime de plantão. A advogada ainda afirma que Olívia não integra o núcleo de chefia da organização criminosa e que suas atividades profissionais se restringem à medicina, não exercendo funções de direção nas empresas investigadas.

Além de Olívia, a Operação Gutenberg resultou na prisão de sua mãe, Rossana Paroschi Jafar, e dos irmãos Felipe Paroschi Jafar e Giovanni Paroschi Jafar, que permanecem detidos. Outras prisões incluíram ex-nora de Rossana, ex-prefeito, coordenador de regulação, empresários e servidores públicos. Heyder Bartz, apontado como um dos chefes da suposta organização, continua foragido.