Mineradora eleva projeção de terras raras em jazida no Sul de Minas para 1,6 bilhão de toneladas
Novos estudos geológicos indicam aumento de 6,67% na estimativa de argila iônica no Projeto Caldeira, em Caldas (MG), reforçando o potencial da região para elementos estratégicos.

A mineradora Meteoric anunciou uma revisão para cima na estimativa de argila iônica com terras raras no Projeto Caldeira, localizado em Caldas, Minas Gerais. A projeção atualizada eleva o potencial de 1,5 bilhão para 1,6 bilhão de toneladas, representando um acréscimo de 6,67% na jazida, conforme estudos geológicos recentes.
As terras raras são um grupo de 17 elementos minerais cruciais para tecnologias de transição energética e economia de baixo carbono. São empregadas na fabricação de ímãs permanentes para veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, equipamentos médicos e dispositivos de segurança global. O aumento na estimativa reflete um maior conhecimento da área a ser explorada e um aprofundamento nos dados geológicos da jazida.
A atualização dos estudos elevou os recursos medidos de 37 milhões para 128 milhões de toneladas de argila iônica. Recursos medidos são a porção de um depósito mineral onde a quantidade e a qualidade do minério são estimadas com alto grau de confiança, devido a extensos dados de sondagem e análises. Além disso, a jazida compreende cerca de 1,5 bilhão de toneladas de recursos indicados ou inferidos, que, embora com bom nível de conhecimento geológico, possuem menos detalhamento que os recursos medidos.
A Meteoric explicou que o progresso é resultado de uma ampla campanha de sondagens, que forneceu novas informações sobre a localização, a continuidade e as características do minério. Esses dados permitiram aperfeiçoar o modelo geológico do Projeto Caldeira e ampliar a base técnica para a conclusão do Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS) da empresa, consolidando o Planalto de Poços de Caldas como um dos maiores depósitos mundiais de argilas iônicas com terras raras.
Com previsão de início das operações em 2028, o Projeto Caldeira explorará uma área de 425 hectares. A expectativa é processar 5 milhões de toneladas de argila iônica anualmente, resultando na produção de 15 mil toneladas de carbonato de terras raras por ano.
A metodologia de extração de terras raras da argila iônica será feita em uma mina a céu aberto, com mineração rasa e sem a utilização de explosivos. Este método visa minimizar os impactos ambientais e reduzir os custos operacionais. O sistema de escavação adotado será o backfill (preenchimento), que consiste em um ciclo contínuo de extração e recuperação ambiental, onde cavas antigas são preenchidas com a argila após a remoção das terras raras, enquanto novas cavas são abertas.



