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Oncologia vive transformação: tratamentos mais precisos e individualizados

Nas últimas três décadas, a medicina oncológica evoluiu de terapias agressivas para abordagens personalizadas, focando na qualidade de vida e eficácia contra o câncer.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 19:11 · há 2 h
Oncologia vive transformação: tratamentos mais precisos e individualizados
Oncologia vive transformação: tratamentos mais precisos e individualizados — Foto: G1

A oncologia passou por uma revolução profunda nas últimas três décadas, com avanços que mudaram radicalmente a forma de tratar o câncer e de abordar o paciente. Antigamente, os tratamentos eram mais agressivos, com longos períodos de internação e efeitos colaterais severos. Atualmente, a medicina oncológica prioriza terapias mais precisas, focadas nas características individuais do tumor e do paciente, resultando em menos efeitos adversos e melhor qualidade de vida.

Cristina Guimarães Inocêncio, oncologista clínica com mais de 30 anos de experiência e diretora administrativa da Oncomed, testemunhou essas mudanças. Ela destaca que, no início de sua carreira, o foco principal era a doença. Hoje, além de combater o tumor, busca-se entender o perfil de cada paciente para oferecer tratamentos mais assertivos e menos invasivos. Um exemplo notável é a quimioterapia, que antes frequentemente exigia internações prolongadas, e agora, em muitos casos, é administrada ambulatorialmente, permitindo que o paciente retorne para casa no mesmo dia. Essa evolução foi acompanhada por um controle aprimorado dos efeitos colaterais, como náuseas e fadiga.

O desenvolvimento de terapias-alvo representa um marco na oncologia moderna. Ao contrário da quimioterapia tradicional, que afeta células saudáveis e tumorais, essas novas drogas agem especificamente em alterações moleculares presentes nas células cancerígenas. A doutora Inocêncio enfatiza a capacidade atual de compreender o comportamento individual de cada tumor, permitindo tratamentos personalizados que consideram as particularidades moleculares, mesmo em cânceres que aparentam ser iguais.

A imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas, e o avanço dos testes genéticos e biomarcadores são outros pilares dessa evolução. Os testes genéticos possibilitam identificar predisposições ao câncer e analisar características tumorais para guiar o tratamento mais eficaz, personalizando a terapia. A tecnologia, com a digitalização dos processos e o uso de dados em tempo real, também otimizou o compartilhamento de informações e o acompanhamento dos pacientes, reforçando o cuidado multidisciplinar.

Atualmente, o paciente oncológico conta com uma equipe integrada de profissionais, incluindo oncologistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e especialistas em cuidados paliativos, que tratam não apenas o tumor, mas também os aspectos emocionais, físicos e sociais da doença. Essa abordagem holística reflete a maior transformação, segundo a médica: a mudança de perspectiva onde o paciente é o centro do processo, almejando-se não só a cura, mas também a qualidade de vida e o bem-estar durante todo o tratamento. A medicina nuclear também é citada como um dos avanços relevantes.