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Tia de recém-nascida é indiciada por calúnia e difamação após acusação em caso de sequestro em Teresina

A mulher havia exposto nas redes sociais uma profissional da Maternidade Dona Evangelina Rosa, ligando-a à tentativa de rapto, mas inquérito policial concluiu que a suspeita agiu sozinha.

AJ
Redação AJISP
17 de julho de 2026 às 13:35 · há 1 h
Tia de recém-nascida é indiciada por calúnia e difamação após acusação em caso de sequestro em Teresina
Tia de recém-nascida é indiciada por calúnia e difamação após acusação em caso de sequestro em Teresina — Foto: G1

Daniela Beatriz, tia da recém-nascida que foi alvo de tentativa de sequestro na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, será indiciada pelos crimes de calúnia e difamação qualificada. A decisão da Polícia Civil do Piauí ocorre após Daniela ter utilizado redes sociais para expor o nome e a imagem de uma supervisora da maternidade, acusando-a de envolvimento no crime. A investigação, liderada pela delegada Amanda Bezerra, descartou a participação de funcionários da unidade de saúde no episódio.

Segundo a delegada Amanda Bezerra, a investigação foi iniciada após a supervisora da maternidade registrar boletim de ocorrência e solicitar a abertura de um inquérito policial. Nas publicações, Daniela Beatriz apontou a profissional como cúmplice da principal investigada na tentativa de sequestro, Auricélia Rocha. No entanto, o delegado Hugo Alcântara confirmou que Auricélia agiu sozinha, sem qualquer auxílio de alguém da maternidade. O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PI) chegou a expedir uma nota manifestando preocupação com a exposição da profissional.

A Polícia Civil aponta que a exposição da profissional nas redes sociais, com a divulgação de sua foto e nome, prejudicou sua honra e reputação. As publicações da tia da criança se enquadram como difamação qualificada e calúnia qualificada, crimes agravados pelo uso das redes sociais, que potencializa a disseminação de informações inverídicas e atinge um público amplo. Durante a investigação, Daniela foi ouvida por videoconferência e admitiu ter feito as postagens, embora negue ter usado alguns dos termos que lhe são atribuídos.

Em sua defesa, Daniela Beatriz afirmou ao g1 que não teve a intenção de prejudicar a profissional, mas sim de auxiliar na elucidação do ocorrido, expondo o que acreditava ter acontecido no calor do momento. “Se eu não tivesse divulgado essas fotos, colocado nas redes sociais e mencionado ela em algumas coisas que aconteceram, talvez nem tivesse tomado essa proporção tão grande”, declarou. A conclusão do inquérito levará o caso à Justiça.

Além da responsabilização criminal, Daniela Beatriz poderá enfrentar um processo na esfera cível devido à divulgação da imagem da supervisora. A amplidão da divulgação de dados pessoais e acusações sem fundamento legal pode acarretar em indenizações por danos morais, conforme a legislação brasileira de proteção à honra e imagem de indivíduos. A Polícia Civil do Piauí reforça a importância da cautela e responsabilidade ao lidar com informações em plataformas digitais.