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Trump ressuscita alegações infundadas sobre fraude eleitoral e influência estrangeira em 2020

Em discurso recente, o ex-presidente Donald Trump reiterou acusações de que a China teria roubado dados eleitorais e que a Venezuela poderia manipular máquinas de votação americanas, teorias já desmentidas por investigações e decisões judiciais.

AJ
Redação AJISP
17 de julho de 2026 às 13:52 · há 1 h
Trump ressuscita alegações infundadas sobre fraude eleitoral e influência estrangeira em 2020
Trump ressuscita alegações infundadas sobre fraude eleitoral e influência estrangeira em 2020 — Foto: G1

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a levantar acusações infundadas sobre fraude eleitoral e interferência estrangeira nas eleições de 2020. Em um discurso proferido na quinta-feira (16), Trump afirmou que a China teria roubado milhões de registros de eleitores e insinuou que a Venezuela poderia manipular as máquinas de votação americanas, alegações que foram amplamente desacreditadas.

A Casa Branca desclassificou documentos de inteligência em meio às declarações de Trump, que insiste na narrativa de que a eleição que perdeu para Joe Biden em 2020 foi "roubada". Contudo, mais de 60 ações judiciais não encontraram evidências de fraude capazes de alterar o resultado do pleito. Autoridades eleitorais e integrantes da própria administração de Trump refutaram repetidamente as acusações. Rick Hasen, especialista em direito eleitoral da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), definiu o discurso como "alegações recicladas e já desmentidas".

Trump acusou Pequim de promover "o maior ataque hacker a dados eleitorais da história", resultando na aquisição ilegal de 220 milhões de registros de eleitores americanos e de tentar produzir cédulas ilegais para Joe Biden. No entanto, nos EUA, registros eleitorais são informações públicas. Um relatório de inteligência de março de 2021 concluiu que não havia "indícios de que qualquer agente estrangeiro tenha tentado alterar qualquer aspecto técnico do processo de votação", afirmando que a China "não realizou ações de interferência" com alto grau de confiança. Stephen Richer, ex-responsável pelo registro eleitoral do condado de Maricopa, destacou que uma conspiração para criar eleitores falsos exigiria registros fraudulentos indetectáveis.

Em relação à Venezuela, Trump sugeriu que as eleições do país sob o governo de Nicolás Maduro foram fraudadas, comparando-as à vulnerabilidade das máquinas de votação americanas. Essa alegação remete a teorias conspiratórias de 2020 sobre um complô venezuelano para manipular votos nos EUA por meio da empresa Smartmatic. A Smartmatic, cuja tecnologia foi usada de forma limitada em 2020, obteve acordos e vitórias em ações por difamação relacionadas a essas alegações. Documentos desclassificados indicam que autoridades venezuelanas tinham interesse e certa capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação, mas "não confirmaram de forma definitiva a ocorrência de fraude eletrônica em larga escala em eleições específicas na Venezuela", e que nem a empresa nem o governo venezuelano teriam capacidade de manipular resultados fora do país. Charles Stewart, especialista em eleições do MIT, reiterou que "nada do que foi apresentado mostra evidências de qualquer manipulação eleitoral".

O ex-presidente também alegou que centenas de milhares de não cidadãos americanos estariam registrados para votar, o que é ilegal. Auditorias eleitorais e investigações independentes consistentemente mostram que tais casos são extremamente raros e que existem inúmeras salvaguardas para impedir o voto de não cidadãos.