Advogado é solto sob fiança após agredir ex-companheira em Roraima
A Justiça de Roraima estabeleceu fiança de R$ 16,2 mil para a liberdade provisória de um advogado suspeito de agredir a ex-companheira com um pedaço de madeira, descumprindo medida protetiva.

A Justiça de Roraima concedeu liberdade provisória ao advogado Alex Mota Barbosa, de 39 anos, após o pagamento de fiança no valor de R$ 16.210. Ele foi preso em flagrante no domingo (19) por suspeita de agredir sua ex-companheira, de 31 anos, com um pedaço de madeira em Boa Vista. A decisão judicial foi divulgada nesta terça-feira (21) pelo g1, que confirmou que, até às 15h do mesmo dia, o advogado ainda não havia efetuado o pagamento e permanecia detido.
Alex Barbosa foi detido pela Polícia Militar por volta das 3h da manhã de domingo (19), acusado de agredir a vítima nas pernas. Posteriormente, foi autuado em flagrante na delegacia por lesão corporal no contexto de violência doméstica. Segundo relatos da mulher à Polícia Civil, o agressor havia descumprido uma medida protetiva de urgência que o proibia de se aproximar dela, confirmando o descumprimento de uma ordem judicial.
Na audiência de custódia, o juiz Marcelo Mazur reconheceu a legalidade da prisão em flagrante, mas considerou que não havia elementos para converter a detenção em prisão preventiva. Dessa forma, foi concedida a liberdade provisória mediante o pagamento da fiança e outras condições. Entre as exigências estabelecidas pelo magistrado, estão o cumprimento das medidas protetivas já impostas em outro processo, o comparecimento à Justiça a cada dois meses para justificar atividades e a proibição de se ausentar de Roraima por mais de 30 dias sem autorização judicial.
A vítima relatou à Polícia Civil que estava em uma pizzaria quando avistou o ex-companheiro e, temendo pela própria segurança, se refugiou no apartamento da mãe. Ao sair em um carro de aplicativo, foi interceptada por Alex nas dependências do condomínio. Ela afirmou que o advogado a agrediu nas pernas com um pedaço de madeira, proferindo frases como que “era pai da filha dela” e que “ela deveria respeitá-lo”. Durante o relato, a mulher mencionou que o suspeito teria ameaçado moradores com uma faca após ela conseguir fugir e acionar a Polícia Militar.
Em depoimento, Alex Barbosa negou que estivesse separado da vítima e afirmou desconhecer a existência da medida protetiva. Questionado sobre as agressões, ele apresentou respostas desconexas. A defesa do advogado, em nota, informou que “a concessão de liberdade provisória não representa reconhecimento de culpa nem declaração de inocência, constituindo apenas uma medida processual prevista na legislação brasileira”. A defesa aguarda o prosseguimento do processo para apresentar sua argumentação técnica.
Atualmente, o advogado está recolhido no Comando de Policiamento da Capital (CPC), conforme informação da Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejuc), após a audiência de custódia. Este caso ilustra a complexidade da violência doméstica, onde medidas protetivas, apesar de sua importância, nem sempre impedem a reincidência, exigindo constante vigilância e rigor das autoridades. A vítima manifestou interesse em representar criminalmente contra o investigado e expressou temor pela sua integridade física e psicológica.



