Brasil

Auditoria nos contratos dos Bombeiros é determinada após convênio questionado

A decisão do governador em exercício ocorre após um convênio de R$ 25 milhões com o Instituto Rio Metrópole, investigado por corrupção, e relações próximas entre autoridades.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 22:45 · há 1 h
Auditoria nos contratos dos Bombeiros é determinada após convênio questionado
Auditoria nos contratos dos Bombeiros é determinada após convênio questionado — Foto: G1

O governador em exercício, Ricardo Couto, ordenou uma auditoria em todos os contratos do Corpo de Bombeiros, em decorrência de um convênio controverso com o Instituto Rio Metrópole (IRM). A minuta do acordo previa o repasse de R$ 25 milhões do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) para o instituto, que está sob investigação por suspeitas de corrupção. A proximidade entre o comandante-geral da corporação, Tarciso Salles, e o ex-presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, também influenciou a medida.

Didê encontra-se preso e é alvo de investigações sobre possíveis esquemas de corrupção em contratos que totalizam R$ 86 milhões. Por ser bombeiro da reserva, ele está sob custódia do Grupamento Prisional do Corpo de Bombeiros, comandado por Sirlei Gomes, que também mantém laços de amizade com o ex-presidente do IRM. Em março deste ano, Didê celebrou seu aniversário com Salles e Gomes, e Salles gravou um vídeo de felicitações, destacando a amizade.

A relação entre Didê e Salles é de longa data. Em novembro de 2024, Salles concedeu a Didê a Medalha Mérito Avante Bombeiro, uma honraria destinada a personalidades que prestaram relevantes serviços. Contudo, o Ministério Público alega que Didê já havia causado prejuízos ao patrimônio público. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, ele foi detido sob acusação de vender respiradores superfaturados ao governo de Santa Catarina, muitos dos quais eram considerados imprestáveis. Apesar das investigações, Didê recebeu a medalha cerca de um ano e meio depois de ser convocado para prestar esclarecimentos ao Conselho de Disciplina dos Bombeiros.

A conexão entre Didê e Salles estendeu-se às instituições que lideravam, com ambos participando das negociações para o convênio de R$ 25 milhões, que visava à implantação de um sistema de monitoramento de desastres naturais. O projeto, que transferiria recursos do Funesbom para o IRM, gerou alerta na gestão interina de Ricardo Couto. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) emitiu parecer contrário, argumentando que os fundos dos Bombeiros deveriam ser aplicados apenas em investimentos diretos da corporação. Após o parecer, o processo administrativo ficou paralisado e foi encerrado apenas após uma reunião entre o governador em exercício e o comandante-geral dos Bombeiros.

A decisão de auditar todos os contratos do Corpo de Bombeiros foi tomada para manter o comandante Tarciso Salles no cargo, em meio às investigações sobre o Instituto Rio Metrópole, conforme apurado. O governo também intensificou as exonerações no órgão, com o próprio Didê e outras 13 pessoas deixando seus postos. O coronel Tarciso Salles, por meio da Secretaria de Estado de Defesa Civil, informou que o processo do convênio seguiu o fluxo administrativo, com pareceres técnicos e jurídicos que inviabilizaram seu prosseguimento, e que não houve transferência de recursos. A defesa de Davi Perini Vermelho declarou que todos os contratos foram geridos e fiscalizados conforme a lei e que o convênio em questão, embora não faça parte da operação do MPRJ, respeitou o rito legal. Em relação à custódia de Didê, a Secretaria de Defesa Civil afirmou que os procedimentos seguem a legislação e as determinações judiciais.