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Bloqueios em rotas marítimas no Oriente Médio ameaçam comércio global

Rotas cruciais como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, junto ao Canal de Suez, são fundamentais para o transporte de petróleo, grãos e bens manufaturados, e seu fechamento pode impactar a economia mundial.

AJ
Redação AJISP
22 de julho de 2026 às 00:26 · há 1 h
Bloqueios em rotas marítimas no Oriente Médio ameaçam comércio global
Bloqueios em rotas marítimas no Oriente Médio ameaçam comércio global — Foto: G1

As tensões geopolíticas no Oriente Médio colocam em xeque a segurança de três passagens marítimas vitais para o comércio global: o Estreito de Ormuz, o Estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez. A interrupção ou fechamento dessas rotas pode provocar aumentos significativos nos custos e nos tempos de transporte, afetando a cadeia de suprimentos mundial e elevando os preços de diversos produtos.

O Estreito de Ormuz, posicionado na entrada do Golfo Pérsico, e o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Iêmen ao continente africano e serve como acesso ao Mar Vermelho, são pontos estratégicos. Complementando esse corredor está o Canal de Suez, no Egito, uma ligação artificial entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo, essencial para a navegação transcontinental. A Arábia Saudita, ciente dos riscos, tem buscado alternativas para o escoamento de seu petróleo, redirecionando cerca de 70% de suas exportações para o Mar Vermelho via oleoduto, minimizando a dependência do Estreito de Ormuz.

Segundo Roberto Dumas, professor de Economia Internacional do Insper, um eventual bloqueio dessas rotas teria um impacto desproporcional sobre os países asiáticos. Nações como Coreia do Sul, China, Índia e Taiwan dependem de 70% a 90% do petróleo vindo do Oriente Médio. Dumas alerta que a interrupção dessas passagens pode gerar pressão sobre os preços do petróleo, intensificar a inflação global e manter as taxas de juros elevadas por um período prolongado, prejudicando a recuperação econômica mundial.

Além do petróleo, as rotas de Bab el-Mandeb e Suez constituem um corredor marítimo crucial que liga o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo, representando a via mais curta entre a Ásia e a Europa. A impossibilidade de usar esse caminho exigiria que os navios contornassem o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando milhares de quilômetros e até 15 dias à viagem, que normalmente duraria entre 12 e 16 horas no Canal de Suez.

Daniel Rio Tinto, professor de Relações Internacionais da FGV, enfatiza que a relevância dessas passagens transcende o transporte de petróleo. Ele aponta que uma vasta gama de produtos, como fertilizantes, grãos e bens manufaturados, que circulam entre a Ásia e a Europa, utiliza majoritariamente essas rotas. Dessa forma, qualquer interrupção não seria apenas um problema setorial do petróleo, mas um desafio multifacetado para o comércio internacional como um todo.