Harmonização de vinhos e pratos brasileiros: um guia para experiências gastronômicas
Desvende as combinações ideais de vinhos com a diversidade da culinária nacional, da feijoada ao acarajé, ampliando as possibilidades enogastronômicas e valorizando a produção brasileira.

A tradicional harmonização de vinhos com alimentos, historicamente centrada em padrões eurocêntricos devido à concentração da produção vinícola no Velho Mundo, expandiu-se com o avanço vitivinícola global. Essa evolução gerou questionamentos sobre as melhores combinações para a rica e variada culinária brasileira, que abrange desde pratos intensos e gordurosos até opções leves e frescas. A premissa central é buscar o equilíbrio entre peso, acidez, gordura e intensidade de sabor, permitindo novas e deliciosas descobertas.
Para a feijoada, por exemplo, sugere-se a harmonização com espumantes secos ou extra brut. A efervescência e alta acidez dessas bebidas auxiliam na "limpeza" do paladar, combatendo a gordura e o sal do prato. Recomendações incluem o espumante argentino Norton 101 Bubbles Extra Brut e o brasileiro Iribarrem Blanc de Blanc Nature, este último produzido na Serra Gaúcha pelo método champenoise. Em contraste, churrascos e carnes grelhadas pedem tintos encorpados, como Cabernet Sauvignon, Tannat, Sangiovese e Tempranillo, com taninos que equilibram a gordura da carne. Boas opções são o uruguaio Montes Toscanini Criado en Roble Tannat e o chileno Tabali Pedregoso Gran Reserva Cabernet Sauvignon.
Pratos como moqueca, seja baiana ou capixaba, combinam bem com vinhos brancos aromáticos e tintos leves, ambos com acidez acentuada para contrabalegar a gordura do azeite de dendê e do leite de coco. O chileno Tabali Talinay Sauvignon Blanc e o argentino Norton Select Pinot Noir são exemplos. Espumantes brancos e rosés, especialmente os elaborados pelo método tradicional, também se destacam. Já petiscos como pão de queijo e salgadinhos fritos são realçados por espumantes Brut refrescantes, produzidos pelo método Charmat, como o italiano Belvino Grillo Brut.
A galinhada, um prato com sabores marcantes, harmoniza com brancos de médio corpo, como Chardonnay, Viognier ou Alvarinho, e tintos leves, como Pinot Noir e Merlot. Sugestões incluem o uruguaio Criado en Roble Albariño e o gaúcho Basco Loco Merlot. O acarajé, iguaria frita e picante da Bahia, pede vinhos brancos aromáticos, refrescantes e de baixo teor alcoólico, como o Vinho Verde português Pardalito DOC ou um Riesling alemão como o OH01 Riesling Reserva. Espumantes, como o Cava Semi Sec Don Román, também são indicados pela capacidade de limpar o paladar e pelo leve dulçor que equilibra a picância.
Para as sobremesas brasileiras, a regra geral é que vinhos devem ser tão doces quanto o prato. Doces à base de leite e frutas frescas, como quindim e pudim, combinam com espumantes Moscatel, a exemplo do nacional Viva La Vida Moscatel Rosé. Sobremesas com chocolate encontram parceiros ideais em vinhos do Porto e Madeira, que possuem notas complementares de chocolate, caramelo e toffee. O Moscatel de Setúbal DOC Adega de Palmela, de Portugal, é um exemplo de vinho doce com excelente custo-benefício. Em todas as combinações, a recomendação é "beber menos, beber melhor".


