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Médica ligada a esquema de R$ 27 milhões na compra de livros atuou em Santa Casa

Olivia Paroschi Jafar, investigada na Operação Gutenberg, realizou plantões na Santa Casa de Campo Grande até janeiro de 2026, por meio de sua pessoa jurídica. O hospital não é alvo da investigação.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 22:14 · há 1 h
Médica ligada a esquema de R$ 27 milhões na compra de livros atuou em Santa Casa
Médica ligada a esquema de R$ 27 milhões na compra de livros atuou em Santa Casa — Foto: G1

A médica Olivia Paroschi Jafar, detida em 7 de julho como parte da Operação Gutenberg, trabalhou como plantonista no Pronto Atendimento do Privado (Prontomed) da Santa Casa de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, até janeiro de 2026. A atuação se dava na modalidade de Pessoa Jurídica (PJ) e, segundo a instituição, o hospital não é objeto da investigação que apura um esquema de R$ 27 milhões na compra de livros didáticos.

De acordo com a Santa Casa, Olivia iniciou suas atividades em janeiro de 2025 como autônoma e, posteriormente, formalizou a prestação de serviços por meio da empresa Jafar Estética e Saúde Ltda. O contrato previa remuneração apenas pelos plantões efetivamente realizados, mediante emissão de nota fiscal. O hospital informou que, na época da contratação, toda a documentação exigida, incluindo certidões negativas e comprovantes de regularidade junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e outros órgãos, foi apresentada e analisada, sem constatação de irregularidades.

A médica foi liberada da prisão em 18 de julho, após pagamento de fiança e determinação de uso de tornozeleira eletrônica. Ela é investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) por suposta participação em uma organização criminosa. O esquema investigado envolve a manipulação da regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) para pressionar prefeitos a adquirir livros da Editora Avante, tendo movimentado mais de R$ 27 milhões entre 2022 e 2024.

A defesa de Olivia Jafar, representada pela advogada Estella Bauermeister, ressaltou que o contrato com a Santa Casa não possui relação com os fatos sob investigação. A defesa argumenta que a Justiça reconheceu que Olivia não integra o núcleo de chefia da organização criminosa, o que fundamentou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico. Além de Olivia, sua mãe, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Felipe e Giovanni Paroschi Jafar também foram presos na operação e permanecem detidos.

O Gaeco aponta que o esquema teria usado a saúde de Mato Grosso do Sul como "moeda de troca", com os envolvidos interferindo nos setores de compras de prefeituras e fornecendo um "manual" para direcionar contratações por inexigibilidade de licitação, abrangendo desde estudos técnicos preliminares até a emissão de notas fiscais. Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), é apontado como peça central na facilitação ou prejuízo a municípios conforme os interesses da Editora Avante.