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Morte por febre maculosa em São Bernardo acende alerta no ABC Paulista

Mulher de 43 anos faleceu após contrair a doença em área com mata; investigação municipal revelou cães infestados por carrapatos com a bactéria.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 23:54 · há 1 h
Morte por febre maculosa em São Bernardo acende alerta no ABC Paulista
Morte por febre maculosa em São Bernardo acende alerta no ABC Paulista — Foto: G1

A morte de uma mulher de 43 anos por febre maculosa em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em março deste ano, levanta um alerta sobre a gravidade da doença transmitida por carrapatos. A vítima, residente da região do Alvarenga, uma área com vasta vegetação, teria sido contaminada por parasitas provenientes do local e foi hospitalizada em estado de choque, vindo a óbito em menos de 24 horas.

Após a confirmação do caso, a Vigilância Epidemiológica do município de São Bernardo do Campo iniciou uma investigação na residência da paciente. Foram identificados cães soltos infestados por carrapatos, e exames posteriores constataram a presença da bactéria causadora da febre maculosa nos parasitas. O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, informou que equipes de vigilância visitaram a área e orientaram os vizinhos sobre a inspeção de seus animais de estimação.

Os cães foram prontamente tratados, e o setor de zoonoses realizou uma varredura na região, não encontrando outros animais com carrapatos. Os serviços de saúde municipais foram instruídos a identificar possíveis novos casos, enquanto a população recebeu orientações sobre os riscos da doença e a importância de procurar assistência médica diante dos primeiros sintomas.

A febre maculosa é uma infecção grave causada pela bactéria Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato-estrela contaminado. No início, os sintomas podem ser inespecíficos, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas e mal-estar geral, o que pode levar à confusão com outras doenças como dengue ou gripe. O período de incubação da bactéria varia de dois a 14 dias.

Sem o tratamento adequado e precoce, a bactéria pode se disseminar pela corrente sanguínea, provocando inflamações intensas que afetam múltiplos órgãos e podem causar hemorragias. Em estágios avançados, surgem manchas avermelhadas nas mãos e nos pés, um dos sinais mais característicos da doença. O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca a alta taxa de mortalidade da febre maculosa, que pode variar entre 40% e 80%, chegando a quase 90% em alguns casos, dependendo da região e da agilidade no tratamento. A prevenção com a inspeção corporal e vestimentas adequadas em áreas de risco, assim como a remoção correta de carrapatos, é essencial.