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Moradores de Manaus relatam persistência de sintomas após vazamento de monômero de estireno

Dois dias após o incidente em uma fábrica no Distrito Industrial, moradores e trabalhadores próximos à empresa Innova ainda apresentavam náuseas, dores de cabeça e irritação ocular, levantando preocupações sobre os impactos à saúde e a continuidade das operações no local.

AJ
Redação AJISP
18 de julho de 2026 às 01:36 · há 1 h
Moradores de Manaus relatam persistência de sintomas após vazamento de monômero de estireno
Moradores de Manaus relatam persistência de sintomas após vazamento de monômero de estireno — Foto: G1

Moradores e trabalhadores das proximidades da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, relataram ter sentido mal-estar dois dias após o vazamento de monômero de estireno ocorrido na última quarta-feira (15). Sintomas como náusea, dor de cabeça, irritação nos olhos, aperto na garganta, falta de ar e diarreia foram mencionados por pessoas que vivem e atuam na região.

O incidente teve início às 17h36 de quarta-feira (15), quando uma elevação anormal na temperatura do monômero de estireno, substância essencial na fabricação de plásticos e borrachas sintéticas, provocou o vazamento na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico resultou na evacuação de um shopping próximo e mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) para resfriar o tanque.

A doméstica Rosivete Ferreira, 63 anos, descreveu o início dos sintomas na manhã de quinta-feira (16), horas após o vazamento, com enjoo e ardência nos olhos. Luiz Ferreira, ajudante de caminhão que trabalha perto da empresa, relatou que ele e colegas de trabalho sentiram-se mal durante o expediente, mas as atividades não foram interrompidas, e o cheiro da substância permanecia forte no local de trabalho.

A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou que o monômero de estireno é tóxico e sua inalação pode causar os sintomas observados, como irritação nas mucosas e dores de cabeça. A especialista alertou que o produto, embora líquido, evapora rapidamente e, como gás, pode se dispersar por longas distâncias, e em contato com a chuva, formar compostos nocivos.

Até a tarde de sexta-feira (17), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) registrou 211 atendimentos relacionados ao vazamento, com 209 pacientes recebendo alta. Um paciente permanece internado na UTI, e um homem de 67 anos faleceu, mas a pasta informou que não há relação direta com o vazamento, pois ele tinha histórico de doença respiratória crônica. A Innova declarou que a situação foi controlada seguindo protocolos de emergência e que todo resíduo foi armazenado para tratamento adequado, afirmando não haver vazamento de produto líquido para fora da área de contenção ou registro de vítimas. A Prefeitura de Manaus e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicaram multas que, somadas, ultrapassam R$ 20 milhões à Innova por infrações ambientais.