Operação Distrato: quadros revelaram metas para fraudes tributárias em escritório
Investigadores encontraram anotações detalhando objetivos de golpes tributários federais e estaduais, incluindo contato diário e fechamento de contratos, em ação que apura sonegação fiscal de R$ 3,8 bilhões.

A Operação Distrato, deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP), revelou, em um escritório ligado à advogada Mayra Fahur de Paula, a existência de quadros com metas para supostas fraudes tributárias. As anotações, encontradas por investigadores, indicavam objetivos como 30 ligações diárias, 10 reuniões semanais e o fechamento de oito contratos por mês, evidenciando uma organização sistemática para a prática de golpes federais e estaduais.
Auditores fiscais apontaram que a estrutura do escritório contava com cinco advogados dedicados a fraudes federais e dois focados em crimes envolvendo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os quadros também exibiam frases motivacionais, interpretadas pelo Núcleo de Inteligência Fiscal em Recuperação de Ativos (Nira) como um indicativo da "natureza metódica da atividade criminosa investigada".
A Operação Distrato investiga uma organização suspeita de sonegar R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS. A ação cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Paraná, mirando escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras que, segundo os investigadores, simulavam créditos tributários para reduzir indevidamente o imposto devido ao estado de São Paulo.
O escritório de Mayra Fahur é descrito pelos auditores fiscais como parte de um "ecossistema financeiro" ligado ao advogado e empresário Nelson Wilians. Investigadores afirmam que Mayra ordenou que servidores fossem apagados remotamente para destruir provas durante o cumprimento dos mandados. O relatório do Nira destaca que o grupo econômico estruturado em torno de Wilians apresentava o "grau mais elevado de sofisticação organizacional" entre os núcleos analisados, utilizando empresas de fachada e ativos de luxo para operações. A defesa de Mayra de Paula nega vínculo societário com Nelson Wilians, afirmando que a relação era uma parceria técnica pontual já encerrada.
O escritório Nelson Wilians Advogados, em nota, informou que a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem vínculo societário com o NWADV, e que encerrou a parceria ao identificar inconsistências, colaborando com as autoridades. O Alpha Group, também investigado, negou ilícitos fiscais e penais. O governo estadual ressaltou que a apuração busca diferenciar quem agiu conscientemente do lucro ilícito de quem possa ter sido enganado de boa-fé. A Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais em mais de 750 empresas.



