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Pedras de rochas milenares formam parque costeiro em Santos

Material rochoso de 600 milhões de anos, extraído de reservatório subterrâneo, foi utilizado na construção de plataforma de parque no litoral paulista.

AJ
Redação AJISP
17 de julho de 2026 às 08:26 · há 1 h
Pedras de rochas milenares formam parque costeiro em Santos
Pedras de rochas milenares formam parque costeiro em Santos — Foto: G1

As pedras utilizadas para a formação da plataforma do Emissário Submarino de Santos, que hoje abriga o Parque Municipal Roberto Mário Santini, têm uma origem singular: são fragmentos de rochas com aproximadamente 600 milhões de anos, retiradas durante a construção do maior reservatório de água tratada em formato de túnel da América Latina. Este reservatório, conhecido como Reservatório-Túnel Santa Tereza-Voturuá, foi escavado em morros da Baixada Santista, em São Paulo, e possui formação geológica similar à do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

Construído entre 1979 e 1981, o reservatório tem capacidade para armazenar 110 milhões de litros de água, atendendo Santos e São Vicente, e complementando o abastecimento de Guarujá e Praia Grande. Com mais de um quilômetro de extensão, sua estrutura se divide em duas câmaras subterrâneas, localizadas a 42 metros acima do nível do mar, o que permite o abastecimento por gravidade e, consequentemente, a economia de energia elétrica.

A Sabesp, empresa responsável pelo projeto, explicou que as pedras retiradas das obras do Reservatório-Túnel Santa Tereza-Voturuá foram empregadas com a finalidade de amortecer o impacto das ondas e estruturar a plataforma que protege a tubulação do emissário submarino. Essa tubulação, com quatro quilômetros de extensão e 1,75 metro de diâmetro, é um equipamento fundamental para o saneamento básico, responsável pelo lançamento tratado de efluentes sanitários em alto-mar, aproveitando o processo natural de autodepuração das águas marinhas.

O Emissário Submarino de Santos foi projetado na década de 1970 para atender a crescente demanda populacional e turística da região, e consiste em um sistema que libera os efluentes através de difusores em sua extremidade, sem um escape aberto. Essa tecnologia é reconhecida internacionalmente e utilizada em diversos países, como Estados Unidos, Nova Zelândia, China, Espanha e Portugal.

A área onde o emissário se inicia na orla da praia, um antigo canteiro de obras, foi posteriormente cedida ao município de Santos, dando origem ao Parque Municipal Roberto Mário Santini em 2010. Projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, o parque é um complexo de lazer e cultura que inclui pista de skate, ciclovia, aparelhos de ginástica e o Museu do Surfe de Santos. O local também abriga uma escultura em ferro da artista plástica Tomie Ohtake, mãe do arquiteto, em homenagem à imigração japonesa.