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Polícia boliviana contesta cocaína em madeira retida no Brasil; Receita Federal mantém apreensão

Laudos preliminares bolivianos não confirmam droga em 260 toneladas de madeira, apreendidas em junho em MT e MS, que a Receita Federal brasileira havia apontado como possível recorde histórico de cocaína diluída.

AJ
Redação AJISP
18 de julho de 2026 às 13:39 · há 1 h
Polícia boliviana contesta cocaína em madeira retida no Brasil; Receita Federal mantém apreensão
Polícia boliviana contesta cocaína em madeira retida no Brasil; Receita Federal mantém apreensão — Foto: G1

A Polícia Boliviana contestou a existência de cocaína em um carregamento de 260 toneladas de madeira, apreendido em junho nas fronteiras de Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS) com a Bolívia, em ação conjunta com a Receita Federal brasileira. Inicialmente, testes preliminares indicaram a presença da droga diluída no material, o que poderia configurar a maior apreensão de cocaína da história do país.

Contrariando os indícios iniciais, o comandante-geral da Polícia Boliviana, Mirko Sokol, afirmou que novas análises não confirmaram a presença de entorpecentes na madeira. No entanto, a Receita Federal do Brasil mantém a carga retida, aguardando laudos definitivos. A Polícia Federal brasileira informou que só se manifestará após o dia 31 de julho, prazo para a conclusão dos exames.

A apreensão, realizada em 21 de junho, envolveu oito caminhões, dos quais quatro foram interceptados em Corumbá (MS) e os demais em Cáceres (MT). A Operação Timber Shield, que contou com a colaboração da Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro, e agências de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia, baseou-se em informações de que a carga poderia estar contaminada. Um cão farejador da Receita Federal reforçou as suspeitas ao indicar a presença de substância nos carregamentos.

O caso gera impacto significativo para importadores de madeira. Alessandro Castro, um dos importadores, relatou prejuízos financeiros e a paralisação de 40 funcionários na Bolívia, criticando a falta de um documento oficial e a responsabilidade dos órgãos. O advogado Leandro Lobo, que defende outro importador, planeja acionar a Justiça para isentar os empresários dos custos das diárias dos caminhões parados, que chegam a R$ 44 mil.

Devido ao grande volume da carga, a retirada da cocaína, que estaria em estado líquido e misturada à estrutura da madeira, demandaria uma complexa operação industrial. Fontes ligadas à operação indicam que o processo seria inviável economicamente e logisticamente. Por isso, as análises serão feitas em apenas parte da carga, com a extração da droga por meio da imersão das toras em reagentes químicos. Após os exames laboratoriais, será estimada a quantidade de cocaína, e a carga deverá ser incinerada. A investigação também busca identificar os responsáveis pelo esquema criminoso. Os veículos foram liberados, e não houve prisões até o momento.