Economia

Preço do petróleo sobe na guerra, mas combustíveis no Brasil demoram a cair na trégua

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio impulsiona os valores internacionais do petróleo, mas a variação de preço não se reflete de forma equivalente nos postos brasileiros, impactados por subsídios governamentais e a dinâmica de um mercado ainda incerto.

AJ
Redação AJISP
17 de julho de 2026 às 08:01 · há 2 h
Preço do petróleo sobe na guerra, mas combustíveis no Brasil demoram a cair na trégua
Preço do petróleo sobe na guerra, mas combustíveis no Brasil demoram a cair na trégua — Foto: G1

A imprevisibilidade do cenário internacional, particularmente o conflito entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, tem gerado oscilações significativas nos preços do petróleo. Em julho, o barril de Brent, referência global, fechou a US$ 83,30, após uma nova escalada de tensões que incluiu a retomada do bloqueio naval por parte dos EUA na estratégica rota, por onde transita cerca de 20% do comércio global de petróleo.

Apesar da recente alta, o valor atual está aquém do pico de US$ 118,03 registrado em abril, após um período de quedas que levaram a commodity a se aproximar dos US$ 70. Contudo, essa desaceleração do petróleo no mercado internacional não se traduziu em redução nos valores dos combustíveis nos postos brasileiros. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o diesel e a gasolina acumulam alta de aproximadamente 10% e 5%, respectivamente, desde o início do conflito em fevereiro.

Especialistas apontam que a demora na queda dos preços no Brasil é multifatorial. A persistente incerteza sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio mantém o mercado em alerta. Além disso, medidas de contenção do governo federal, que destinou mais de R$ 30 bilhões em subsídios para amortecer o impacto da alta dos combustíveis na inflação, contribuíram para um aumento mais moderado no país, mas também devem limitar eventuais reduções.

Analistas do mercado, como Bruno Cordeiro, da StoneX, ressaltam que a imprevisibilidade continua a ditar os preços do petróleo. A fragilidade de acordos de trégua e a retomada de hostilidades entre EUA e Irã, juntamente com o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, intensificam as preocupações com a oferta global. Ao mesmo tempo, a demanda mundial permanece elevada, impulsionada pelo verão no Hemisfério Norte, período de maior consumo de energia.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, destaca que o aumento de preços no Brasil foi contido em comparação com outros países, refletindo a atuação do governo e da Petrobras para evitar repasses integrais. Essa contenção, embora benéfica inicialmente, implica que o espaço para quedas significativas é reduzido. Por exemplo, a recente redução no preço do diesel nas refinarias pela Petrobras apenas compensou o fim de um subsídio governamental, mantendo o valor para as distribuidoras inalterado. A decisão sobre a retirada do subsídio da gasolina foi postergada devido à nova escalada do conflito.

Mesmo o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, é considerado insuficiente para gerar uma redução substancial nos preços ao consumidor. Bruno Cordeiro explica que o fator determinante para a alta ou baixa dos preços continua sendo a dinâmica do mercado internacional e a forma como essas variações são transmitidas aos produtos importados que chegam ao Brasil.