Rússia refuta acusações de Washington sobre interferência eleitoral
Em um contexto de persistentes alegações de Donald Trump sobre fraude eleitoral nos EUA, Moscou nega veementemente as acusações norte-americanas de tentativa de influência em pleitos passados.

A Rússia rejeitou nesta sexta-feira (17) as acusações dos Estados Unidos a respeito de uma suposta interferência nas eleições americanas. A negativa russa ocorre em meio a novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que voltou a alegar fraudes no pleito de 2020, o qual resultou em sua derrota para o democrata Joe Biden.
Durante um pronunciamento na noite de quinta-feira (16), Trump apresentou o que chamou de "cinco grupos de documentos" da Casa Branca, supostamente comprovando fraudes nas eleições de 2020. "Eles demonstram que, ao longo de vários anos — começando durante o ciclo eleitoral de 2020 —, a República Popular da China realizou o que se acredita ser a maior violação de dados eleitorais da história, resultando na obtenção ilícita, por parte da China, de registros de 220 milhões de eleitores americanos", afirmou o presidente.
O republicano declarou que solicitará ao diretor do FBI, Kash Patel, uma investigação sobre a China e acusou funcionários da inteligência americana de acobertar as evidências de suposta fraude. Essas alegações contradizem uma avaliação não sigilosa de 2021 da comunidade de inteligência dos EUA, que não encontrou indícios de qualquer ator estrangeiro ter alterado "qualquer aspecto técnico" das eleições de 2020, incluindo registros de eleitores ou resultados.
Trump também reiterou que votos por correio, permitidos em alguns estados, seriam falsificados. "A China e outros países têm tentado interferir em nossas eleições, e evidências de fraude foram ocultadas. Centenas de milhares de não cidadãos e pessoas falecidas constam como ativos nas listas de eleitores", declarou. Ele propôs o "SAVE America Act", um projeto de lei que exigiria identificação com foto para votar e comprovação de cidadania para registro eleitoral, além de compartilhamento de dados de eleitores entre estados e governo federal. Democratas e defensores do direito ao voto argumentam que a fraude é rara e que a proposta de Trump restringiria votos legítimos.
As alegações de fraude de 2020 já foram amplamente rejeitadas por tribunais, auditorias e pelo Departamento de Justiça, sem que nenhuma evidência de manipulação de urnas eletrônicas fosse encontrada. A agência federal de segurança cibernética classificou aquela votação como "a mais segura da história dos Estados Unidos". Críticos veem as declarações de Trump como uma tentativa de deslegitimar processos eleitorais e alertam para o risco de interferência governamental no sistema, especialmente com as próximas eleições legislativas de 2026 se aproximando.
O presidente americano ainda ameaçou emissoras de TV como ABC e NBC com a revogação de suas licenças por se recusarem a exibir seu pronunciamento ao vivo. Pronunciamentos presidenciais em horário nobre nos EUA são tradicionalmente reservados para marcos significativos ou eventos de importância nacional. A fixação de Trump com a derrota de 2020 e as teorias da conspiração sobre o pleito têm sido uma constante em suas falas desde que retornou à Casa Branca em 2025.


