Secretaria de Saúde do DF detalha investigações sobre mortes na rede pública
Seis casos recentes de óbitos, incluindo mães e bebês, levaram familiares a denunciar negligência médica, motivando apurações por parte das autoridades de saúde do Distrito Federal.

Em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (16), a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF) apresentaram detalhes sobre as investigações de seis óbitos ocorridos recentemente na rede pública. Os casos geraram questionamentos de familiares sobre a possibilidade de negligência médica, e as autoridades afirmaram que todas as ocorrências estão sendo apuradas, classificando-as como "fatos isolados".
Entre os casos destacados, quatro envolveram mortes de bebês ou mães, com três relacionados ao momento do parto. São eles: a morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, sem atendimento na UPA do Recanto das Emas; Luciana Ferreira, de 34 anos, que perdeu a filha recém-nascida após diversas idas a um hospital; Maria Vitória, de 5 meses, que faleceu após ser extubada acidentalmente; Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, e Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, ambas falecidas durante o parto no Hospital de Samambaia; e Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, que morreu na calçada do Hospital de Base.
O secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, abordou o caso de Maria Vitória, que morreu durante uma transferência entre hospitais. A família relatou que o tubo de respiração da bebê foi acidentalmente removido. O secretário confirmou que a pasta investiga se houve extubação acidental durante o transporte, realizado por uma empresa terceirizada, e mencionou que medidas como a rescisão do contrato podem ser tomadas caso a suspeita seja confirmada. Sobre os óbitos de Maria Graciana Andrade Alves e Maria Aparecida Galdino dos Santos, Cavalcante explicou que, apesar da equipe médica ter seguido os protocolos, as pacientes apresentaram complicações graves, como atonia uterina e distúrbio de coagulação, respectivamente, resultando em seu falecimento.
A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, comentou sobre as mortes em portas de unidades de saúde. Em relação a Vilmar Pereira da Silva, que morreu na UPA do Recanto das Emas sem atendimento, ela informou que o processo administrativo disciplinar está em fase final. No caso de Rodrigo Resende Prado, que faleceu na calçada do Hospital de Base, a presidente garantiu acompanhamento pessoal das investigações, incluindo análise de imagens e prontuários, para definição de medidas administrativas. Ambos os casos também foram encaminhados a órgãos de classe para apuração ética.
Embora o caso de Luciana Ferreira não tenha sido tema da coletiva, o g1 e a TV Globo registraram que a mulher denunciou possível violência obstétrica após a morte de sua filha recém-nascida. O atestado de óbito da criança indicou parada cardiorrespiratória e hipoxia intrauterina. Todas as apurações administrativas e policiais estão em andamento, e as autoridades reforçaram o compromisso em determinar as responsabilidades, se houver, após a conclusão dos levantamentos.


