Tecnologia

UE exige que Google compartilhe serviços com OpenAI e rivais de IA e busca

Decisão da Comissão Europeia, baseada na Lei dos Mercados Digitais, estabelece que a gigante da tecnologia deve abrir acesso a funcionalidades do Android e dados de busca, visando maior concorrência e diversificação de opções para usuários.

AJ
Redação AJISP
16 de julho de 2026 às 12:25 · há 21 h
UE exige que Google compartilhe serviços com OpenAI e rivais de IA e busca
UE exige que Google compartilhe serviços com OpenAI e rivais de IA e busca — Foto: G1

A União Europeia (UE) impôs novas regras ao Google, controlada pela Alphabet, que obrigam a empresa a conceder acesso a alguns de seus serviços a concorrentes como a OpenAI e outras companhias de inteligência artificial (IA) e busca online. A medida foi detalhada pela Comissão Europeia na última quarta-feira (15) e se insere no esforço do bloco para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia.

Estas diretrizes são resultado de um processo que durou seis meses para definir como o Google deveria se adequar à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês). A imposição exige que o Google abra 11 funcionalidades do sistema operacional Android, permitindo que concorrentes de IA utilizem esses recursos e melhorem sua capacidade de competição com o Gemini, a ferramenta de IA própria da empresa. Em termos práticos, usuários poderão ativar assistentes de IA de outras empresas por meio de comandos de voz, de forma similar ao "Ok Google", para tarefas como pedir um táxi ou buscar informações sobre locais, com as mudanças previstas para serem implementadas a partir de julho de 2027 عبر uma atualização do Android.

Além disso, a decisão determina que o Google compartilhe dados anonimizados, utilizados para aprimorar seus serviços de busca, com a OpenAI e outras empresas que operam chatbots de IA com ferramentas de pesquisa. A gigante da tecnologia terá a prerrogativa de avaliar se os concorrentes representam riscos à segurança cibernética ou à proteção de dados antes de conceder acesso. A medida, que entrará em vigor em janeiro do próximo ano, também estabelecerá uma metodologia para calcular o pagamento pelo compartilhamento desses dados.

O Google criticou as exigências da UE. Kent Walker, advogado da empresa, afirmou em comunicado que as "decisões anunciadas hoje podem comprometer proteções essenciais de privacidade e segurança para milhões de europeus". Ele acrescentou que o Google tem proposto soluções para proteger os usuários e, ao mesmo tempo, cumprir os objetivos da DMA, mas que as decisões "ignoram evidências significativas dos possíveis impactos negativos para os usuários".

Em resposta, a Comissão Europeia assegurou que as medidas incluem mecanismos para proteger a privacidade dos usuários e a segurança dos dispositivos. Segundo o órgão, o Google só precisará disponibilizar os recursos a empresas que comprovadamente cumpram critérios rigorosos de segurança e proteção de dados. Henna Virkkunen, chefe de tecnologia do bloco, comentou que a expectativa é "estimular o surgimento de alternativas ao Google Search e a serviços de IA da empresa, como o Gemini, ampliando as opções disponíveis para os usuários da União Europeia".