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Coronel da PM de SP em grupo de WhatsApp com preso em operação contra o PCC

Investigação do Ministério Público revelou mensagens que indicam proximidade entre oficial da PM e indivíduos acusados de gerenciar o esquema financeiro da facção criminosa, além de áudios que sugerem pagamentos a policiais do DEIC.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 17:06 · há 3 h
Coronel da PM de SP em grupo de WhatsApp com preso em operação contra o PCC
Coronel da PM de SP em grupo de WhatsApp com preso em operação contra o PCC — Foto: G1

A Operação deflagrada nesta terça-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo, visando desarticular o braço financeiro do PCC, revelou a existência de um grupo de WhatsApp denominado "aniversário general". Neste grupo, ativo até pelo menos novembro de 2023, estavam presentes o coronel da Polícia Militar de São Paulo, Luiz Carlos Pereira Martins, Cleber Azevedo dos Santos – apontado como "companheiro" do PCC e preso na ação – e Robson Martins Souza.

As investigações apontam que as mensagens trocadas no grupo possuíam um "caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações", indicando, para os promotores, uma relação de proximidade entre os participantes. Além da participação no grupo, o Ministério Público registrou que o coronel Luiz Carlos Pereira Martins se ofereceu para auxiliar os investigados e intermediar contatos com outras autoridades, incluindo o então comandante da ROTA, coronel José Augusto Coutinho, e o coronel "Patrício", também citado como "cliente" em planilhas apreendidas.

Um áudio, atribuído a Cleber Azevedo dos Santos e datado de 23 de julho de 2025, ilustra as suspeitas. Nele, Cleber solicita R$ 100 mil em dinheiro para supostamente “pagar os polícia” do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), devido a um problema. Em outra conversa, Robson Martins Souza teria solicitado R$ 30 mil para que um cliente pudesse “pagar os amigos”, termo que, para o MP, se referia a propina para agentes públicos, e Cleber Azevedo dos Santos teria questionado sobre saldos para “pagar a polícia”.

A investigação também encontrou uma anotação de pagamento de R$ 1 mil em dinheiro ao coronel "Patrício", valor que o Ministério Público sugere ser proveniente de uma prática ilícita conhecida como "ticketagem". Diante das evidências, a Justiça autorizou a extração de dados e apreensão de CPUs de computadores utilizados por policiais civis, além de buscas em viaturas. Para o órgão, os fatos revelam um esquema de corrupção sistêmica, onde o PCC utilizava recursos para cooptar policiais e manter suas atividades ilícitas.

Ao todo, 13 pessoas foram presas na operação, com dois alvos já detidos e cinco foragidos, incluindo o doleiro Leonardo Meirelles. A ação, desdobramento de três operações anteriores, visa desvendar o complexo esquema de lavagem de dinheiro do PCC, que utilizava empresas de fachada e contas de laranjas para movimentar recursos de origem criminosa, inserindo-os no sistema bancário por meio de transferências eletrônicas e posteriormente utilizando-os para compra de bens e pagamento de agentes públicos em troca de proteção e informações.

Uma peça-chave na investigação surgiu de uma disputa entre um operador financeiro e um integrante da facção por uma dívida de R$ 2 milhões referente à negociação de uma casa na Riviera de São Lourenço. Mensagens apreendidas indicam que o caso foi levado ao “tribunal do crime” do PCC, demonstrando o uso de um “mecanismo paralelo de resolução de conflitos”. Cleber Azevedo dos Santos, preso na operação, foi o operador envolvido, caracterizando Marcelo de Morais Oliveira, outro detido, como “companheiro do PCC” nas tratativas da dívida, agradecendo aos “irmão” pela atenção ao caso.

Durante a operação, que contou com 60 policiais do Batalhão de Choque e do Comando de Operações Especiais, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis e veículos, além do sequestro de bens de 19 suspeitos e quatro empresas. Policiais civis e militares são citados nos registros de áudios e planilhas, mas não foram alvo direto desta operação, nem formalmente acusados ou denunciados neste momento.