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Dívida de R$ 90 milhões ameaça passe livre estudantil em Manaus

Sindicato das empresas de ônibus alerta para possível colapso do serviço e dificuldades na manutenção da gratuidade para alunos na capital amazonense devido a débitos do Governo do Estado e da Prefeitura.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 14:01 · há 3 h
Dívida de R$ 90 milhões ameaça passe livre estudantil em Manaus
Dívida de R$ 90 milhões ameaça passe livre estudantil em Manaus — Foto: G1

O funcionamento do passe livre estudantil em Manaus está sob risco devido a uma dívida de R$ 90,1 milhões, conforme informou nesta terça-feira (21) o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). A entidade alerta para o impacto dos valores em aberto, que não teriam sido pagos pelo Governo do Amazonas e pela Prefeitura de Manaus, sobre a operação do transporte coletivo na cidade.

Durante coletiva de imprensa, o Sinetram detalhou que os débitos somam precisamente R$ 90.184.740,19. Desse montante, mais de R$ 44 milhões são atribuídos ao Governo do Amazonas, enquanto a Prefeitura de Manaus seria responsável pelo restante da dívida. A situação levanta preocupações sobre a continuidade da gratuidade para os estudantes, vital para a mobilidade de milhares de alunos.

A declaração do sindicato ocorreu um dia após uma paralisação de rodoviários, iniciada na segunda-feira (20) em protesto contra atrasos no pagamento de salários. Na terça-feira, a frota de ônibus voltou a operar com 80% de sua capacidade nos horários de pico, em cumprimento a uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que fixou multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento.

Segundo o presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, as dez empresas que gerenciam o transporte coletivo na capital amazonense enfrentam severas dificuldades financeiras. Ele enfatizou que a regularização dos pagamentos é imprescindível para a manutenção do benefício estudantil. “O sistema pode colapsar caso essa dívida, que hoje é de R$ 90 milhões, não seja paga”, afirmou.

Teixeira ressaltou que, além de quitar os valores pendentes, é crucial que haja um acordo para os repasses futuros, garantindo a sustentabilidade do serviço. “Não basta apenas acertar isso. Tem que se pagar o correto para frente, do que o estudante vai andar. Caso contrário, nós não temos como atendê-lo”, declarou, apelando para um entendimento entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus.

A Justiça do Trabalho interveio para garantir a circulação mínima de ônibus, determinando que 80% da frota operasse nos horários de pico e 50% nos demais períodos. A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) acompanhou a saída dos veículos das garagens para assegurar o cumprimento da decisão, que visava minimizar os transtornos para a população. A reportagem buscou contato com a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para comentários sobre as pendências financeiras, mas aguarda uma resposta.