Empresas em disputa milionária sobre contrato de Wi-Fi em São Paulo
Disputa judicial envolve cobrança de R$ 4,5 milhões sobre contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura; acusações incluem fraude e tentativa de extorsão.

Uma contenda judicial se desenvolve entre a empresa Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama. O litígio gira em torno de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi, no qual a Ultra IP reivindica o pagamento de R$ 4,5 milhões, alegando irregularidades. O ICB, por sua vez, acusa a terceirizada de descumprir o acordo e tentar extorquir R$ 2,5 milhões.
A Ultra IP afirma ter sido a única responsável pela instalação de 3.200 pontos de Wi-Fi, mas notas fiscais do ICB apresentadas à prefeitura atribuem parte dos serviços à empresa Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda. A Ultra IP sugere que a Favela Conectada, que teria recebido R$ 12 milhões para instalar 2 mil pontos, seria uma fachada usada para justificar despesas do convênio. O ex-proprietário da Favela Conectada, Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, está preso sob acusação de feminicídio. A empresa foi posteriormente transferida para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que reside no mesmo endereço de Santos e posteriormente alterou a razão social para Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda.
O contrato entre Ultra IP e ICB, avaliado em R$ 30,7 milhões para a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi, foi rompido unilateralmente em setembro de 2025. A Ultra IP alega falta de pagamento e irregularidades na alteração do valor por ponto de instalação. Em sua defesa, o ICB anexou um inquérito policial no qual Karina Gama acusa o proprietário da Ultra IP, William Silva Ferreira, de tentar extorqui-la em R$ 2,5 milhões para não divulgar informações à imprensa. A empresária, também dona da produtora do filme “Dark Horse”, aponta falhas contratuais e técnicas da Ultra IP, resultando na interrupção de cerca de 800 links de internet em comunidades periféricas.
A Prefeitura de São Paulo solicita que Karina Gama devolva R$ 906 mil referentes a notas fiscais canceladas e exige justificativas para outros R$ 12 milhões em gastos. Karina Gama também é mencionada em suspeitas de uso de emendas parlamentares, como as de Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon, para financiar indiretamente o filme “Dark Horse” através de suas entidades. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) reforça que sua relação jurídica é exclusiva com o ICB e que a fiscalização das prestações de contas é rigorosa, tendo determinado a devolução de R$ 2 milhões em 2025, que foram integralmente cumpridos pelo instituto. O órgão enfatiza que o programa Wi-fi Livre opera normalmente e está sob fiscalização de entidades de controle.
Além da Ultra IP e Favela Conectada, outras empresas como Complexsys Soluções Integradas Ltda. e Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., pertencentes a André Feldman e sua esposa Débora Feldman, respectivamente, foram contratadas pelo ICB para monitoramento e auditoria. A Ultra IP aponta André Feldman como diretor de fato do ICB, envolvido nas decisões de rompimento de contrato, embora ele não figure oficialmente no quadro da ONG. Feldman nega a participação e afirma que a Complexsys foi contratada para monitoramento da rede, contestando as acusações como distorcidas.



