Governo Trump solicita US$ 67 bilhões adicionais ao Congresso em meio a conflitos no Oriente Médio
O secretário de Guerra dos EUA pediu mais fundos para operações militares na região, enquanto intensificam os embates entre Estados Unidos e Irã, com acusações de ataques e provocações mútuas.

Nesta terça-feira (21), o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, formalizou um pedido ao Congresso para a liberação de US$ 67 bilhões em fundos adicionais. O montante visa financiar as operações militares norte-americanas no Oriente Médio, em um período de escalada das tensões e conflitos entre os EUA e o Irã. O requerimento foi feito diante da intensificação dos ataques e da retórica assertiva de ambos os lados, marcando um novo capítulo na complexa dinâmica regional.
Durante coletiva de imprensa na Casa Branca, ao lado do presidente do Líbano, Joseph Aoun, o presidente Donald Trump reiterou sua posição de que o Irã demonstra interesse em negociar, mas frisou que não há disposição para conversas no momento. Trump indicou a possibilidade de uma ampliação das ações militares americanas, afirmando: "Nós ainda não terminamos". Ele também mencionou a intenção de atacar uma montanha ao sul de Teerã, onde estaria localizada uma instalação subterrânea iraniana ligada ao programa nuclear. O encontro com o líder libanês também abordou a questão dos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah, com apoio iraniano, no território libanês.
Esse pedido de financiamento surge após uma série de novos ataques. Na noite anterior, as forças americanas realizaram investidas contra alvos militares iranianos, incluindo centros de comando e locais de lançamento de mísseis e drones, pela décima vez consecutiva desde o fim do cessar-fogo com o Irã. Em resposta, o Irã retaliou com ataques a bases americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia. O governo do Kuwait alegou que Teerã atingiu usinas de energia e estações de dessalinização de água.
Em outra frente do cenário de crise, dois navios que se dirigiam ao estreito de Bab el-Mandeb alteraram suas rotas após ameaças dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen. Na segunda-feira (20), os houthis haviam anunciado o bloqueio da rota comercial com destino à Arábia Saudita, adicionando mais um elemento de instabilidade à região.
Ao comparecer perante o Congresso, Hegseth informou que os gastos com a guerra já totalizaram US$ 37 bilhões em quase cinco meses, destacando a necessidade urgente dos recursos adicionais para sustentar as operações militares. No entanto, estimativas mais amplas sugerem que o conflito já teria custado cerca de US$ 100 bilhões aos cofres americanos. O secretário foi interrompido por manifestantes contrários à guerra no início da audiência. Embora sem fazer menção direta ao Irã, Hegseth defendeu a ampliação do orçamento militar, argumentando que sem o aporte financeiro, haverá "déficits críticos que ameaçam a capacidade não apenas de pagar nossas forças armadas, mas também de repor rapidamente equipamentos e munições e de manter operações vitais".
Segundo informações divulgadas pelo jornal Washington Post, o orçamento de certas áreas do Pentágono pode se esgotar nas próximas semanas, intensificando a urgência do pedido. O Congresso ainda não definiu uma data para a votação dos recursos solicitados, e espera-se que a Câmara dos Representantes e o Senado iniciem o recesso de verão até a próxima semana, o que pode atrasar a aprovação dos fundos. Em meio a este quadro, o chefe do Pentágono já havia indicado que a guerra contra o Irã custou aos EUA quase R$ 200 bilhões. É importante notar que este é um contexto mais geral, não necessariamente o montante exato do pedido atual.

