Rio Grande do Sul adota protocolo para buscas de desaparecidos vulneráveis
A Polícia Civil gaúcha implementou novas diretrizes para agilizar a localização de crianças, idosos, vítimas de violência e pessoas com deficiência, frente a 154 casos em aberto.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instituiu um novo protocolo de atendimento para fortalecer e acelerar as investigações de pessoas desaparecidas pertencentes a grupos vulneráveis. A medida, que padroniza a atuação das delegacias em todo o estado, abrange categorias como crianças, adolescentes, idosos, mulheres em situação de violência e indivíduos com deficiências físicas e intelectuais. Atualmente, o estado registra 154 casos de desaparecimento sem solução. Desde janeiro, foram 1.649 ocorrências, com 1.495 localizações, representando uma taxa de sucesso de 90,7% nas apurações.
Historicamente, cada delegacia conduzia as investigações de forma autônoma. Com a nova diretriz, a polícia passa a empregar uma classificação de risco por cores — vermelho, laranja e amarelo — que determina a urgência das ações. A delegada Marina Dillenburg, diretora da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), explica que um caso como o de uma criança menor de 12 anos recebe classificação máxima, indicando prioridade. O protocolo organiza as diretrizes mínimas de atuação em prazos de duas, seis e 24 horas após o registro.
Nas primeiras duas horas, a delegacia que recebe a denúncia é responsável pelas ações iniciais, que incluem o registro imediato do caso, coleta de fotografia recente do desaparecido, entrevista com familiares, verificação de locais frequentados e checagem preliminar em hospitais e instituições de acolhimento. O grau de risco é avaliado e comunicado à divisão de inteligência. Em até seis horas, a equipe deve levantar endereços, pesquisar em bancos de dados, analisar redes sociais e buscar indícios de conflitos familiares ou violência, gerando um relatório preliminar.
O documento prevê que, passadas 24 horas, sejam realizadas diligências presenciais em possíveis locais de permanência do desaparecido. A equipe deve coletar imagens de sistemas de monitoramento públicos ou privados e entrar em contato com instituições que possam auxiliar na localização, revisando o nível de risco para planejar novas ações. Caso a pessoa não seja localizada após 24 horas, a unidade responsável mantém a apuração, produzindo relatórios complementares e compartilhando informações com outras unidades.
A Polícia Civil desmistifica a crença de que é preciso aguardar 24 horas para registrar uma ocorrência de desaparecimento. A orientação é que a notificação seja feita imediatamente a qualquer sinal de alteração na rotina da pessoa. A delegada Dillenburg enfatiza que "quanto antes isso é feito, mais chances há de localização", solicitando que as famílias forneçam o máximo de detalhes nas primeiras horas, como rotina, locais frequentados, com quem a pessoa estava e fotografias recentes, pois "quanto mais a família ajudar, a escola, pessoas do entorno desses vulneráveis, mais facilita nosso trabalho e a resposta”



