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Sargento suspeito de matar capitã da PM foi exonerado e readmitido judicialmente

Eduardo Abner Pereira de Oliveira, investigado pela morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já havia sido expulso da corporação por omissão de antecedentes e reintegrado por decisão judicial.

AJ
Redação AJISP
21 de julho de 2026 às 22:32 · há 1 h
Sargento suspeito de matar capitã da PM foi exonerado e readmitido judicialmente
Sargento suspeito de matar capitã da PM foi exonerado e readmitido judicialmente — Foto: G1

Belo Horizonte, MG – O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, principal suspeito no caso da morte da capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, possuía um histórico administrativo controverso na corporação antes do recente incidente. Ele foi exonerado da PMMG em 2009 por ter omitido, no processo de ingresso, que havia sido apreendido na adolescência por porte ilegal de arma de fogo e respondido a processos por atos infracionais.

A reintegração de Eduardo Abner à Polícia Militar ocorreu em 2015, após uma decisão judicial. Segundo o acórdão da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) de 2014, a Justiça entendeu que não seria razoável exigir do então candidato a declaração de fatos ocorridos na menoridade, especialmente por ter recebido o benefício de remissão e cumprido as medidas socioeducativas impostas. A decisão do TJMG não apenas anulou a exoneração, como também determinou que o estado de Minas Gerais pagasse ao policial a remuneração referente ao período em que esteve afastado.

Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi detido em flagrante na noite da última segunda-feira (20), após levar sua esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Conforme o boletim de ocorrência, a médica responsável pelo atendimento constatou múltiplas lesões no corpo da vítima, incluindo traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte profundo na cabeça, indicando que a morte teria ocorrido horas antes da chegada ao hospital.

Em seu depoimento à polícia, o sargento relatou que ele e a capitã haviam participado de uma confraternização na residência do casal, com consumo de bebidas alcoólicas e ecstasy. Ele afirmou que, após a saída dos convidados, eles tiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Eduardo Abner alegou que Michele sofreu uma queda da escada no dia seguinte, resultando em um corte na cabeça e outros ferimentos. Ele disse ter prestado os primeiros socorros, mas que a vítima recusou atendimento médico, alegadamente por constrangimento devido ao uso de drogas.

O militar adicionou em seu depoimento que, ao acordar por volta das 21h, percebeu que a esposa não respondia a estímulos, momento em que decidiu levá-la ao hospital. A defesa do policial informou que aguarda a conclusão dos laudos periciais e das investigações, manifestando confiança no devido processo legal e na imparcialidade, e que se pronunciará oportunamente.

Além do histórico na PMMG, Eduardo Abner possui registros de violência contra a mulher. A polícia confirmou a existência de boletins de ocorrência de 2014 e 2016. Um dos registros de 2016, feito por uma ex-companheira do militar, descreve agressões físicas e o descumprimento de uma medida protetiva concedida pela Justiça.