TCE investiga desvio de verba pública para asfaltar estacionamento de igreja em RO
O Tribunal de Contas de Rondônia apura uso indevido de recursos da prefeitura e do governo estadual na pavimentação da Igreja Assembleia de Deus em Porto Velho, com prejuízo estimado em mais de R$ 259 mil.

O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) iniciou uma investigação sobre o suposto uso de dinheiro público para asfaltar o estacionamento da Igreja Assembleia de Deus, em Porto Velho. A obra, realizada em julho de 2025, teria empregado servidores, máquinas e materiais da Prefeitura de Porto Velho e do governo de Rondônia, gerando um prejuízo estimado em mais de R$ 259 mil aos cofres públicos.
Parte do valor, especificamente R$ 3 mil, já foi devolvida pela Sociedade Evangélica Beneficente (SEB), ligada à igreja, após um acordo com o Ministério Público, restando ainda R$ 6,3 mil a serem ressarcidos nesta etapa da investigação. Contudo, a maior parcela do prejuízo, cerca de R$ 250,2 mil, é atribuída à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), que, segundo o TCE-RO, teria utilizado indevidamente asfalto, caminhões e rolos compactadores da prefeitura na obra.
O Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO) também está sob investigação, acusado de ceder máquinas e funcionários para o transporte e a aplicação do asfalto, resultando em um gasto de R$ 9,3 mil. A pavimentação ocorreu no Grande Templo da Assembleia de Deus, localizado no bairro Tiradentes, zona Leste de Porto Velho, um local com capacidade para aproximadamente 7 mil pessoas.
Para fundamentar as suspeitas, os auditores do TCE-RO utilizaram imagens de satélite, vistorias no local e análises de fotografias georreferenciadas, evidenciando a presença de caminhões da Seinfra trabalhando no estacionamento da igreja. Essas provas foram cruciais para rejeitar a versão inicial da Prefeitura de Porto Velho, que havia alegado ter enviado apenas um caminhão-pipa com água reutilizada para reduzir a poeira no local.
Os envolvidos no caso receberam um prazo de 15 dias para apresentar suas defesas. Após a análise dessas manifestações ou a ausência delas, o TCE-RO deliberará sobre a ocorrência de irregularidades e a eventual obrigação de ressarcimento dos valores aos cofres públicos. Até o momento, a Prefeitura de Porto Velho e o Governo de Rondônia não se manifestaram, e a equipe de reportagem também busca contato com a defesa da Igreja Assembleia de Deus.



