Zelensky demite chefe do Exército da Ucrânia em meio a tensões internas
A decisão do presidente ucraniano ocorre após crise gerada pela saída do ex-ministro da Defesa e em meio a críticas sobre o estilo de comando do oficial demitido.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou a demissão do comandante-chefe do Exército, Oleksandr Syrskyi, nesta terça-feira (16). A medida sucede uma crise política deflagrada pela saída do popular ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, que pressionou pela modernização tecnológica das Forças Armadas.
Syrskyi, de 60 anos, ocupava o cargo desde 2024 e ganhou destaque por sua atuação na defesa de Kiev no início da invasão russa em 2022. Formado em academias militares da antiga União Soviética, ele nasceu na Rússia e concluiu seus estudos militares em Moscou, o que gerava ressalvas em setores da sociedade ucraniana.
A demissão de Syrskyi acontece após manifestações de apoio a Mykhailo Fedorov, que foi deposto em 14 de julho. Fedorov acusou Syrskyi de ter influenciado sua saída e de criar obstáculos para a reforma do Exército ucraniano, em um momento crucial do conflito com a Rússia.
Syrskyi era alvo de críticas por parte de adversários, que questionavam seu estilo de comando. Suas decisões operacionais, que resultavam em um elevado número de baixas entre as tropas, renderam-lhe o apelido de "açougueiro" em alguns círculos militares e políticos.
Em uma mensagem oficial publicada no Telegram, o presidente Zelensky agradeceu a Oleksandr Syrskyi por seu trabalho e confirmou a nomeação de um novo comandante para a força terrestre, Drapatyi. "Sou grato a Oleksandr Syrskyi e a cada um de nossos combatentes pelas sólidas posições da Ucrânia na linha de frente", declarou Zelensky, buscando apaziguar os ânimos e manter a unidade das forças ucranianas.

