EUA oficializam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil após perdas bilionárias nas exportações
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA confirmou novas taxas sobre importações brasileiras a partir de 22 de julho, agravando um cenário que já acumulava baixa de R$ 13,28 bilhões nas vendas nacionais para o país.

O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil a partir do dia 22 de julho. A decisão, determinada pelo presidente Donald Trump, sob o argumento de que as práticas comerciais brasileiras são desfavoráveis aos norte-americanos, afeta itens como açúcar, etanol e máquinas agrícolas, enquanto carnes, café e suco de laranja permanecem isentos do reajuste. De acordo com o governo federal, as novas tarifas devem atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para o país, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.
Essa nova medida amplia a barreira comercial em um mercado que já operava de forma restritiva. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, devido às tarifas vigentes desde o ano passado — que dividem os produtos nacionais em grupos sem sobretaxas, com alíquota geral de 10% e tarifas específicas de até 50% para aço e alumínio —, as exportações brasileiras para os EUA já haviam encolhido R$ 13,28 bilhões. No primeiro semestre de 2026, 20 das 27 unidades da federação registraram queda nas vendas para o mercado americano, gerando uma retração total de 13% puxada pelo setor de bens industriais.
Representantes do setor produtivo brasileiro expressaram forte preocupação com os impactos da medida na competitividade nacional. Ricardo Alban, presidente da CNI, alertou que a sobretaxa aumenta a insegurança jurídica e prejudica a posição da indústria brasileira. No mesmo sentido, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) apontou que o acréscimo de custos pode forçar a renegociação de contratos, reduzir margens de lucro e provocar a substituição de fornecedores brasileiros por concorrentes estrangeiros. Há ainda o risco de uma tarifa adicional de 12,5% sob a alegação norte-americana de combate ao trabalho forçado.
Em resposta à decisão, o governo do Brasil informou que planeja analisar a lista final de mercadorias atingidas antes de definir uma estratégia, cogitando recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica para aplicar contrapropostas tarifárias. Contudo, analistas financeiros ponderam que uma eventual retaliação brasileira pode encarecer a importação de insumos dos EUA, pressionando a inflação nacional e forçando o Banco Central a manter a taxa de juros elevada por mais tempo, o que desaceleraria a atividade econômica interna.


