China refuta acusações de Trump sobre interferência em eleições dos EUA
Pequim classificou as alegações de falta de base factual e reiterou o princípio de não ingerência em assuntos internos de outras nações, em meio a tensões diplomáticas.

A China negou veementemente nesta sexta-feira (17) as acusações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país teria interferido nas eleições americanas de 2020. O Ministério das Relações Exteriores chinês classificou as alegações como "sem base factual" e reafirmou sua política de não intervenção nos assuntos internos de outras nações, destacando que não há interesse em influenciar o pleito americano.
As declarações de Pequim surgem após Trump afirmar, em pronunciamento na Casa Branca, ter evidências de que a China teria promovido a maior violação de dados eleitorais da história, obtendo ilicitamente informações de 220 milhões de eleitores. Segundo o republicano, documentos de seu governo comprovariam a tentativa chinesa de influenciar a disputa presidencial de 2020, vencida pelo democrata Joe Biden.
Paralelamente à refutação das acusações eleitorais, o Ministério das Relações Exteriores chinês também se manifestou contra as novas restrições de vistos anunciadas pelos Estados Unidos. Pequim considerou as medidas "discriminatórias" e afirmou que elas "não servem aos interesses de ninguém", pedindo sua retirada imediata e reservando-se o direito de adotar contramedidas recíprocas.
Trump reiterou que solicitou ao então diretor do FBI, Kash Patel, uma investigação sobre o caso e chegou a acusar integrantes da comunidade de inteligência dos EUA de supostamente ocultar evidências de uma fraude eleitoral. O ex-presidente voltou a questionar a integridade do sistema eleitoral americano e a defender mudanças nas regras de votação, narrativas que se tornaram recorrentes desde sua derrota para Biden.
Contudo, auditorias eleitorais, decisões judiciais e avaliações de agências de inteligência americanas não encontraram evidências que comprovem manipulação capaz de alterar o resultado da eleição de 2020. Autoridades eleitorais dos Estados Unidos classificaram tal pleito como um dos mais seguros da história do país.
As novas declarações de Trump ocorrem em um momento de aquecimento político nos EUA, às vésperas das eleições legislativas de novembro. Este pleito, que definirá o controle do Congresso americano, é crucial e os republicanos enfrentam desafios para manter sua maioria.


