Hugo Motta defende retaliação comercial após EUA anunciarem tarifaço contra produtos brasileiros
O presidente da Câmara, Hugo Motta, sugeriu o uso da Lei da Reciprocidade em resposta à nova tarifa de 25% imposta pelos EUA, que deve impactar até 18% das exportações brasileiras, somando US$ 7,4 bilhões.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou publicamente a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma nova taxa de 25% sobre as exportações do Brasil. A medida norte-americana, baseada na legislação comercial do país, entrará em vigor no dia 22 de julho, após investigação que alegou barreiras discriminatórias por parte do mercado brasileiro. Em resposta, Motta defendeu a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, que autoriza o Brasil a retaliar comercialmente nações que adotem barreiras unilaterais contra o país.
De acordo com dados divulgados pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, o impacto da nova tarifa será severo para a balança comercial nacional. Tomando como base o ano de 2024, cerca de 18% das vendas brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão atingidas, o que equivale a um montante de US$ 7,4 bilhões. Caso a projeção considere os dados de 2025, o impacto projetado é de 15% das exportações, totalizando US$ 5,8 bilhões.
O plano de tarifas da administração de Donald Trump deve isentar de tarifas adicionais cerca de 57% da pauta exportadora brasileira para os EUA. Contudo, outros 24% dos produtos exportados pelo Brasil estarão sujeitos a alíquotas que podem atingir até 50%. Entre as mercadorias mais afetadas por essa escalada tarifária estão itens considerados estratégicos para a indústria nacional, como aço, alumínio e produtos do setor automotivo.
Hugo Motta classificou a ação do governo americano como protecionista, unilateral e uma ameaça direta aos empregos no Brasil, reiterando que o Legislativo atuará de forma firme na proteção dos exportadores e trabalhadores afetados. O governo brasileiro contesta as alegações técnicas feitas pelos Estados Unidos, que justificaram a punição citando descontentamento com políticas locais relacionadas a temas como Pix, STF e regulação de redes sociais.



